(500) Days of Summer

Tenho assistido alguns filmes ultimamente, alguns muitos.

Desde que fui demitida, na verdade.
Não um filme por dia, afinal não tenho tanta disciplina assim… mas alguns filmes por semana – entre episódios da série que estou viciada e que não vem ao caso – posso dizer que assisti.

Um deles foi (500) Days of Summer – (500) Dias com Ela.
Prefiro o título em inglês só pelo trocadinho de summer (verão) e Summer ( Finn – garota alvo da paixão).
É um filme que já tem alguns anos e desculpem os mais cults, não é lá muito hollywoodiano.. tem uma sensibilidade e uma maneira esquisita dos personagens reagirem às situações que me fez ficar bem comovida.
É o tipo de coisa que me faz pensar que as pessoas se escondem demais por trás da normalidade e que um pouco mais de sinceridade e autenticidade só faria bem pro mundo.

Enfim.

Recomendável? Pra qualquer ser meio deslocado que ainda não tenha visto, altamente recomendável. Pra aqueles que tem preconceito cinematográfico “você deveria saber, não é uma história de amor” – e preconceitos não estão com nada, por favor, se abstenha dessa prática.

Aliás, eu fiquei bastante viciada na playlist do filme, então a mesma também é altamente recomendável. Se forem assistir, atenção aos detalhes.

Beijo beijo.500-days-of-summer-zooey-deschanel-joseph-gordon-levitt-01

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2016

3 ano da faculdade, 2 emprego, sei lá quantos projetos começados e não terminados. Alguns bons, alguns nem tanto… todos importantes. É curioso como no auge dos meus 20 anos eu penso tanto que vou fazer 21, que me desespere por ainda não estar com a vida resolvida, curioso pra não dizer idiota.

Não dá pra entender porque é que nós, seres humanos jovens adultos somos assim. Conversando com meus amigos vejo que a grande maioria de nós é perdida, egoísta e  problemática… não somos maus, apesar de todos precisarmos (e muito!) praticar o tal amor ao próximo, que tantos berram e poucos sentem.

Mas eu queria tratar aqui de um tópico ligeiramente mais leve.

Sabem quando dizem que quando um problema é tão recorrente para uma população, ele já não é mais um problema visivel? Seria mais ou menos isso, como estresse, quando deixou de ser um mal psicológico para ser quase inerente a nossa vida.

Mas o que queria dizer na verdade é que não me importa muito a falta de rumo, nem me incomodam tanto a ansiedade, pois pra mim são reflexos, características da minha geração.
Me incomoda a quase absoluta ausência de prazer. Não, não há a falta de coisas prazeirosas, mas do sentimento que essas coisas deveriam.
Devagar.

Comer com os olhos fechados, por exemplo. Entrar no domingo sem pensar na segunda, fazer silêncio numa conversa profunda, pois não há nenhum problema em silenciar, em respirar fundo. Prestar atenção num cheiro bom, em um abraço demorado, ou sentar ao sol num dia frio sem pensar no daqui a pouco, beijar sem pensar na saudade que vai sentir quando a pessoa for embora.

Pois, por favor seres humanos jovens adultos… o mundo não está assim tão fácil para perder-se qualquer oportunidade de ser feliz.

Moda?

Roupa.

Território da existência.

É ali que se joga o ser. É a tela, sustentada por um corpo, que pode ser aclamado ou escondido. A roupa transforma, dá significado – ou tira. Se expressa o ser, na roupa se coloca o que você é, ou o que gostaria de ser. Paradoxal que um lugar onde se jogue o íntimo, o interior mais profundo, seja a porta de entrada iluminada.

A primeira vista a roupa é o que te representa. Muitos não sabem o que passam, muitos escondem o que lhes diferencia do próximo, justamente copiando-o. Numa sociedade em que todos querem ser aceitos, há mais um paradoxo. Precisam ser aceitos, mas querem diferenciar e se destacar. Querem expor, mas se mostram perdidos diante de tanta exposição. Não se sabe onde termina o que é e onde começa o que gostaria de ser.

A instabilidade das pessoas está refletida na moda. No desespero de se consumir o novo, de se satisfazer, com essa facilidade de se moldar e acabar perdido. É um paralelo a se fazer com pessoas psicologicamente frágeis. Mas afinal, não somos todos? Todos dependentes de atenção e solitários em suas vidas cheias de pessoas. A fúria com que o vazio consome o ser, a ponto de fazê-lo tentar suprir com o novo.

Pessoas frágeis, carentes, expostas. Tendem a se expor mais em busca de aceitação, usando roupas que demonstram isso. Usando e engolindo essas roupas. Ou sendo engolidos por elas. A reação do ser observador influencia mortalmente o observado. Sendo este segundo carente e fraco, essa influência se faz ainda mais mortal. Quase anula o que ele pensa de si mesmo, fazendo-o oscilar entre amar-se e odiar-se.
Já, sendo o observado menos influenciável, ele tende a convencer o observador. Aumentando-se mesmo na simplicidade de um jeans, mostrando-se confiante.

Às vezes a própria tela te influencia e te leva para lugares diferentes e tempos diferentes daquele em que se vive. O carinho por uma peça remete ao carinho de um alguém, de um lugar. Roupas tem bagagem, mas a bagagem é colocada pelo ser que as usa. Moda e identidade estão intrincadas, moda é a exposição da identidade, moda é usada para as pessoas encontrarem a própria identidade. Grupal ou pessoal.

Atualmente ou em tempos passados. A relação entre esses dois conceitos é complexa e visceral. O quanto uma roupa mostra ou deixa de mostrar, o que ela valoriza, aonde ela te inclui, de onde ela te exclui.

(esse foi assunto de um trabalho meu da faculdade, por isso a linguagem, tudo bem? então ta bom. espero que tenham gostado. beijo beijo)

Feminista?

Sim, sim, sim e outras dez mil vezes sim. Esse assunto tem me incomodado muito ultimamente e eu preciso falar.

Sou feminista sim, e não (!) odeio os homens, afinal eu tenho um pai maravilhoso, um irmão, amigos e um namorado. Não quero extirpar o sexo masculino da face da terra nem fazer dos moços meus escravos, tá claro agora? Ok.

Eu sou feminista porque o feminismo me liberta.

Porque eu tenho o direito de colocar a roupa que eu quiser, passar ou não a maquiagem que eu quiser. Porque eu não sou o sexo frágil  nem a donzela em perigo e eu não precisaria de proteção se todos entendessem que o meu corpo é unica e exclusivamente meu e eu faço dele o que eu bem entender.

Eu sou feminista porque não quero ser julgada menos capaz e menos inteligente, mais fraca, ou um objeto, só por ter nascido mulher. Porque quero trabalhar e ganhar o merecido, não menos por que pode ser que algum dia eu saia de licença maternidade. Sou feminista porque não aceito ordem de marmanjo nenhum e nem vou.

Porque to cansada de ter que colocar um shorts por baixo da saia quando ando de metrô. Não sou maluca que não gosta de elogio. Gosto sim! Mas de elogio que é elogio de verdade.
Quando elogiam um bom trabalho, meu esforço, eu aceito sim e muito feliz, mas não sou obrigada a aceitar um “gostooooosa” de um desconhecido. Não passo a mão no corpo de ninguém, e não quero que passem no meu. 

Sou feminista porque eu posso pagar a minha própria conta, e pago. Pago a de quem precisar que eu pague também, e se eu precisar que paguem pra mim, eu deixo pagarem.

Sou feminista porque não é xingamento chamar alguém de mulherzinha, porque homem que é homem chora sim se sentir vontade. Porque ele pode querer desistir do trabalho e cuidar dos filhos e ela também, mas não precisa.
Porque eu quero ter o direito de escolher se quero casar, se quero ter filhos. Porque eu não quero mais preconceitos e padrões de conduta determinados, porque eu quero ter o controle da minha própria vida.

Sou feminista por todas as outras centenas de injustiças que o machismo provoca e que não citei aqui, por todas as mulheres que sofrem violência, seja ela física ou moral, por todas as meninas que se sentem mal por não serem ou por não quererem ser o que todos esperam delas.

Sou feminista porque as mulheres são livres e elas tem que saber disso.

Não é meu sexo que coloca minhas limitações, nem a de mulher nenhuma. Não é um cara, nem o peso de uma sociedade toda que vai me fazer ficar quieta e aceitar tudo isso.

Eu tenho capacidade de fazer minhas escolhas, tenho direito a liberdade. 

Tá na hora de vocês aceitarem isso.

Editorial – Futurismo

Oi oi, como vocês estão nessa terça feira?

Estava aqui pensando há tempos que deveria mostrar um pouco do que eu faço pra vocês.
Como alguns já sabem eu faço faculdade de moda na Belas Artes e já estou indo para o (socorro) quarto semestre. Nesses 3 semestres eu quebrei muito a cara, como todos que já fizeram qualquer coisa na vida já devem ter quebrado.
Entretanto consegui fazer algumas coisas bem legais e essas devem ser mostradas, não?
Mostrarei então, daqui pra frente vocês me verão trabalhar. 

Pra começar, escolhi esse editorial que eu e mais um grupo maravilhoso fizemos. Algumas muitas coisas deram errado no desenvolvimento desse trabalho, corremos e arrumamos coisas um milhão de vezes, mas o resultado foi um dos melhores que conseguimos.

A base de inspiração era o Futurismo.

Editorial Futurismo 6

Pegamos dele a ideia de velocidade. Deixando bem limpo, focamos no movimento casado com a desconstrução.

.Editorial Futurismo 1

Editorial Futurismo 5

Quisemos mostrar um pouco do que o futurismo seria no nosso tempo também. Não pensamos no futuro estático e duro, pensamos nele mais flúido, como avanços cientificos e robos que imitam seres vivos. Então expomos isso com linhas organicas em pintura corporal.

Editorial Futurismo 2

Editorial Futurismo 3

Além de que quase todas as peças foram feitas de papel, com excessão do acessório de cabeça (que foi reaproveitado era de outro trabalho).

3
7

A modelo é a Beatriz Godoy, fotografo foi o Lucas Cabral, o desenvolvimento do trabalho é meu (Caroline Rezende) com Alice Canelhas, Danielle Mendes, Marianna Romão e Natalia Hartmamm e a edição das imagens foi com o Marcelo Segovia.

Gostaram? Mostra ai pros amigos. Agora sempre vou postando meus trabalhos.

beijo beijo.

Correr de manhã

Nossa, como isso é difícil! Postar no blog regularmente é mais ainda.

Mas o que nessa vida é fácil, não é mesmo?

Pra recomeçar, vou postar um poema que me inspira, e espero que toque vocês também.

então queres ser escritor?

(Tradução: Manuel A. Domingos)

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.

e nunca houve.

Charles Bukowski

Só um agrado

Oi gente amada de meu coração,

Eu, sabendo que ando meio desleixada e sumida por motivos de força maior, venho hoje fazer um agradinho pra vocês que ainda me lêem. Vim deixar um presentinho pra esquentar o coração nesses dias frios que fazem em São Paulo – ou de onde quer que vocês estejam lendo, porque é sempre bom esquentar o coração.

Como já sabem, eu amo Vinicius de Moraes e ler as coisas que ele escrevia sempre me deixa o dia um pouco mais alegre. Quando leio, ter escrito aquilo justamente pra minha pessoa, na verdade sinto que ele tá bem aqui falando. Quando leio eu entendo, realmente entendo, não só o que tá escrito, mas entendo um pouco mais de mim mesma. Tão leve, tanto poesia quanto prosa, tão leve e tão sabio ao mesmo tempo. Então, vindo desse amor, venho só deixar uma crônica dele e um poema, que estão no livro “Para Viver Um Grande Amor“,  pra vocês amarem junto comigo.

 

“UMA MÚSICA QUE SEJA

Rio de Janeiro , 1962
… como os mais belos harmônicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma reta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons…”

 

O ESPECTRO DA ROSA
Montevidéu , 1962
Juntem-se vermelho
Rosa, azul e verde
E quebrem o espelho
Roxo para ver-te

Amada anadiômena
Saindo do banho
Qual rosa morena
Mais chá que laranja.

E salte o amarelo
Cinzento de ciúme
E envolta em seu chambre

Te leve castanha
Ao branco negrume
Do meu leito em chamas.

 

 

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beijocas.